PontoesDeCulturaDigital
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Pontões de Cultura Digital
1. Introdução
A experiência prática que vem sendo realizada pela ação Cultura Digital desde 2004 possibilitou ao MinC uma melhor compreensão sobre como processos de articulação em rede, apropriação de tecnologias livres, documentação etnográfica e geração de autonomia podem evoluir e continuar sendo desenvolvidos no âmbito do Programa Cultura Viva.
Nesse sentido, o Ministério optou pela descentralização da ação Cultura Digital através da estruturação, a partir de 2007, de uma rede de Pontões de Cultura Digital. Essa descentralização prevê que a necessária ampliação da ação seja feita de forma orgânica, com a aplicação dos conceitos de gestão intra-rede já praticados por outras ações do Programa Cultura Viva.
Para que isso ocorra, a responsabilidade das atividades regionais e estratégicas, hoje coordenadas e realizadas pelo IPTI e uma equipe de aproximadamente 75 pessoas, deve ser distribuída entre projetos de Pontões selecionados a partir de edital público. Essa proposta é baseada na avaliação de que a gestão da ação Cultura Digital pode evoluir passando a ser feita de forma autônoma por grupos de cerca de 15 pessoas envolvidas no projeto de cada Pontão. Com isso, cada núcleo deve poder planejar, gerir e desenvolver suas atividades de forma autônoma, levando em conta cada vez mais as características e culturas regionais.
De acordo com essas diretrizes, o contrato assinado entre IPTI, MinC e PNUD para desenvolvimento de atividades de janeiro a agosto de 2007, prioriza a transição para o modelo descentralizado proposto pelo MinC. Portanto, a reformulação das equipes no início do ano, bem como as atividades de oficinas continuadas, assistência remota, articulações, pesquisas, desenvolvimento, gestão, documentação e comunicação, vem sendo realizadas dentro de uma perspectiva de autonomia e de desenvolvimento de habilidades específicas em cada uma das equipes.
Essa perspectiva de realização das atividades visa à experimentação da descentralização apontada pelo MinC, no sentido de configurar-se efetivamente como um período de transição. E o presente relatório está inserido nesse escopo de transição como um dos compromissos da equipe contratada pelo IPTI para o processo de evolução da ação Cultura Digital.
O documento está estruturado em seções com propostas pensadas a partir das ações que vêm sendo realizadas, relativas a:
- escopo das atividades a serem desenvolvidas pelos Pontões
- quantidade, distribuição e responsabilidades dos Pontões
- perfis das equipes de cada Pontão
- infra-estrutura de cada Pontão
- integrantes para a comissão de seleção do edital
2. Escopo das atividades a serem desenvolvidas pelos Pontões
O estímulo à interação em rede é o principal objetivo do Programa Cultura Viva, pois ações desenvolvidas e potencializadas de forma colaborativa têm o poder de transformar realidades sociais e culturais. Nesse sentido, a ação Cultura Digital desenvolvida junto aos Pontos de Cultura tem como principal objetivo promover processos de apropriação de tecnologias e de geração de autonomia técnica, entendidos como meios de potencializar a interação em rede de pessoas e grupos.
De acordo com esses objetivos, as atividades realizadas no escopo da ação Cultura Digital buscam entender o contexto de cada projeto e de cada comunidade para, a partir daí, discutir conceitos relacionados a cultura livre, apresentar e discutir a apropriação de tecnologias e desenvolver ambientes de interação em rede, de forma a incrementar e potencializar as atividades realizadas.
A metodologia da ação prevê a criação de espaços para troca de conhecimentos, como os Encontros de Conhecimentos Livres realizados ao longo de 2005 e 2006, onde cada participante pode propor oficinas de habilidades que é capaz de compartilhar. Com isso, as atividades são enriquecidas e o processo de compartilhamento de saberes ocorre de forma natural, diferente da relação formal entre mestre e aluno.
Além da proposição de espaços físicos e virtuais de troca de conhecimentos, as equipes da ação Cultura Digital realizam atividades que servem como meios para estruturar, enriquecer e possibilitar a replicação desses espaços. Exemplos dessas atividades-meio são as articulações junto a outros projetos e comunidades, o desenvolvimento técnico, a documentação dos planos, das metodologias e das atividades realizadas, a gestão compartilhada e a comunicação e publicação de resultados.
As cargas horárias destinadas a cada atividade podem variar de acordo com as pessoas envolvidas, mas as pessoas da equipe de cada Pontão devem dedicar-se integralmente a elas e planejar e priorizar o que deve ser feito em cada momento.
A seguir, são apresentadas as principais ferramentas utilizadas e as principais atividades realizadas pela ação Cultura Digital, bem como uma proposta de como o escopo da ação pode evoluir através do trabalho da rede de Pontões.
2.1. Temas e Ferramentas Básicas
As atividades propostas pela ação Cultura Digital são baseadas na apropriação de tecnologias e na discussão de temas relacionados a cultura livre. As formas de apropriação, bem como as referências para suscitar as discussões, variam de acordo com o contexto de realização de cada atividade. Além disso, uma das características marcantes do universo dos softwares livres é a diversidade de soluções e ferramentas desenvolvidas.
Portanto, a lista que segue é uma referência básica dos principais temas e ferramentas que pode basear a proposição de atividades pela rede de Pontões junto aos Pontos de Cultura, especialmente nas atividades de oficinas continuadas, pesquisas e a assistência remota.
2.1.1. Interação em Rede e Publicação
Uma das propostas mais importantes da ação Cultura Digital é a apropriação de ambientes e linguagens para interação em rede. Os Encontros de Conhecimentos Livres e as Oficinas Locais realizadas ao longo de 2005 e 2006 basearam essa proposta na oficina intitulada "Se Joga na Rede".
Nessa oficina, são discutidas as dinâmicas das redes de relação interpessoal, comunidades, protocolos e redes de computadores e são apresentadas noções básicas de construção de páginas na internet, uso de hipertextos e códigos html, taxonomia e uso de tags e apropriação de ferramentas como listas de discussão, weblogs, wikis, agregadores rss, mensageiros instantâneos e programas de voz sobre IP.
A proposta é de que os Pontões continuem a desenvolver discussões e atividades nesse sentido, com ênfase especial aos ambientes que são desenvolvidos com apoio da ação Cultura Digital: Estúdio Livre, Conversê, Mapsys e Observatório de Cultura Digital.
Além disso, é importante que sejam enfatizadas também as possibilidades de articulação com outras redes relacionadas, tais como comunidades de desenvolvimento de softwares livres, grupos de usuários de GNU/Linux, grupos de Projeto Software Livre regionais, Overmundo, Rede de Economia Solidária, Fórum Virtual Mundial, Centro de Mídia Independente, Rádios e TVs Livres.
2.1.2. Produção Multimídia
A proposição de atividades de produção de mídias é pensada e praticada pela ação Cultura Digital a partir da apropriação de ferramentas digitais e de softwares livres com vistas a gerar uma produção local etnográfica, ou seja, documentação de manifestações culturais locais realizadas pelas pessoas das próprias comunidades. Aqui, deve-se levar em conta a importância da discussão de linguagens a partir da apresentação de referências, como filmes, músicas, podcasts, obras disponíveis no Estúdio Livre, textos de blogs etc.
Os programas livres básicos que podem ser utilizados para produção multimídia vêm sendo pesquisados e utilizados pela equipe da ação Cultura Digital. As pessoas que desenvolvem a ação participam ativamente da comunidade Estúdio Livre e produzem documentação de referência em português para instalação, configuração, uso e aperfeiçoamento desses programas, numa parceria muito bem sucedida. Por isso, é importante que a rede de Pontões preveja a continuidade da colaboração junto a comunidade Estúdio Livre e possa continuar se utilizando dos materiais de referência produzidos por esta comunidade.
Segue, abaixo, uma lista de temas relacionados a produção multimídia que podem ser combinados e abordados de acordo com o contexto das pessoas envolvidas em cada atividade. Junto, estão listados também as ferramentas livres básicas que permitem a produção de vídeo, de áudio e gráfica, além de aplicativos de escritório.
2.1.2.1. Vídeo
Temas propostos para desenvolvimento das atividades:
* Criação de histórias digitais; * Coleção de depoimentos sobre manifestações culturais em audiovisual; * Identificação de equipamentos necessários para produção audiovisual; * Entendimento da linguagem audiovisual e dos elementos que a compõem: tempo e espaço, imagem e som; * Criação e desenvolvimento de tramas utilizando-se de formas dramáticas - criação de storyboard; * Apresentação da estrutura, das funções e das noções técnicas de manipulação da câmera: plano, enquadramento, iluminação, eixo, movimento; * Exploração de possibilidades de edição em corte seco; * Uso de ferramentas de edição não-linear para a pós-produção de imagens; * Compartilhamento, licenciamento e publicação em ambientes na internet; * Transmissão ao vivo via web (streaming); * Legendagem, autoração e backup de DVDs; * Estudo sobre tocadores de vídeos digitais e codecs livres e proprietários; * Estudo sobre formatos, conversão e compressão de vídeos; * Uso de webcams; * Uso de placas de captura de vídeo e vídeos 'analógicos'; * Gerenciamento de apresentações ao vivo e vjing;
Principais ferramentas livres:
* Kino - captura e edição de vídeos digitais * Cinelerra - edição não-linear de vídeos digitais * ffmpeg - conversão de formatos * QDVDAuthor - autoração de DVDs * Jubler - edição de legendas * K3B - gravação de DVDs e CDs * Mplayer, Xine e VLC - tocadores de vídeo * Darkice e Theorur - transmissão ao vivo via web (streaming)
Uma especificação mais detalhada das ferramentas livres e suas possibilidades para produção audiovisual pode ser encontrada no diagrama reproduzido abaixo e disponível através do endereço
[diagrama "caminhos do vídeo"]
2.1.2.2. Áudio
Temas propostos para desenvolvimento das atividades:
* Mapeamento de atividades musicais de cada região; * Equipamentos necessários para produção de músicas e gravações; * Introdução: conceitos físicos e práticos de áudio; analógico x digital; * Uso de samples x sintetizadores; * Noções de acústica e montagem estúdio caseiro; * Gravação, edição, mixagem e masterização; * Criação de bases; * Compartilhamento, licenciamento e publicação em ambientes na internet; * Transmissores e rádios livres; * Transmissão ao vivo via web (streaming); * Produção de CDs de músicas; * Tocadores de áudios digitais e codecs livres e proprietários; * Formatos e conversão de arquivos; * Meta-dados de arquivos de áudio (padrão id3)
Principais ferramentas livres:
* Ardour, Audacity, Jack e Rezound - gravação, edição e mixagem * Darkice e Darksnow - transmissão ao vivo via web (streaming) * ZynaddsubFx - sintetizador * Freebirth e Hydrogen - sequenciadores * Freecycle, LMMS e Rosegarden - MIDI * XMMS, Amarok - tocadores de áudio
Especificaçõs mais detalhadas sobre produção de áudio podem ser encontradas na seção "áudio" do Estúdio Livre, que pode ser acessada a partir do endereço http://estudiolivre.org/%C3%81udio&bl
2.1.2.3. Gráfico
Temas propostos para desenvolvimento das atividades:
* O olho e a representação: como entender e reciclar imagens; * Colagem, diagramação e fotocópia para produção de "imprensa" local; * Estêncil, pintura e transfer para sinalização e personalização de camisetas, cadernos, computadores; * Imagens em movimento: aproximação entre produção gráfica e audiovisual; * Pesquisa e captura de imagens; * Equipamentos para produção gráfica; * Noções de fotografia, lentes, enquadramento e luminosidade; * Edição de imagens vetoriais e bitmaps; * Editoração e diagramação digital; * Fechamento de arquivos para impressão; * Captura de imagens a partir de câmeras digitais; * Meta-dados de imagens (padrão EXIF); * Formatos livres e proprietários; * Gerenciamento e publicação de imagens e álbuns.
Principais ferramentas livres:
* Gimp - edição de imagens bitmap * Inkcape - edição de imagens vetoriais * Scribus - editoração eletrônica * Gphoto2, Gthumb e XSane- captura de imagens * Digikam e Kflickr - gerenciamento e publicação de imagens e álbuns
2.1.3. Escritório
Os aplicativos de automação de tarefas administrativas também podem ser abordados em diversas atividades. A partir dessa abordagem podem ser discutidas e tratadas necessidades comuns como estruturação de bancos de dados para automatização de processos de gestão e comunicação, organização de dados em planilhas eletrônicas, recursos de edição de textos, preparação de apresentações, fechamento de documentos e uso de clientes de e-mail e serviços de webmail.
As principais ferramentas utilizadas para essas tarefas são os aplicativos do pacote OpenOffice, tais como o editor de textos Writer, o editor de planilhas Calc, o editor de bases de dados Base e o editor de apresentações (slides) Impress.
2.1.4. Hardware, Sistemas e Experimentação - Reciclagem e Reapropriação Tecnológica
[fonte: http://www.flickr.com/photos/chgp/341979434/in/set-72157594453464676/]
A proposição de atividades de manuseio de hardware visa à desmistificação de que somente técnicos especializados podem fazê-lo. A partir da triagem de doações para reciclagem e montagem de telecentros, pode-se apresentar os componentes de um computador e colocar em questão temas como a obsolescência programada das tecnologias digitais, a limitação de acesso a essas tecnologias, o impacto ambiental do lixo tecnológico e o uso de tecnologias livres.
A desmistificação do manuseio de tecnologias e componentes eletrônicos abre caminho também para atividades de instalação e configuração de sistemas operacionais e aplicativos livres e experimentações tecnológicas.
No âmbito da experimentação com as novas tecnologias e com as consideradas velhas e obsoletas surge uma importante ação dentro da Cultura Digital que é o uso do hardware livre para instalações multimídia. Um exemplo desta atividade é o pianão metareciclado construído no Encontro de Conhecimentos Livres de Vassouras - RJ, em que foram utilizados restos de teclado de computador ligados ao computador por meio do Arduíno - hardware livre no sentido de que pode ser construído por qualquer pessoa com algum conhecimento técnico sem necessariamente ter que passar por um processo de industrialização - e do software livre Pure Data.
Neste sentido é essencial que os Pontões de Cultura Digital estruturem laboratórios de pesquisa e de produção multimídia para que cada local possa participar do processo de construção de uma instalação artística e multimídia, que esteja documentada e seja assim passível de replicação em outros locais.
2.1.5. Discussões Conceituais
Todas as atividades propostas pela ação Cultura Digital suscitam questões conceituais e práticas políticas. Portanto, é importante que haja momentos para reflexão durante as atividades, além de bastante dedicação a pesquisa para proposição de temas para debate.
Nesse sentido, podem ser propostas reflexões sobre:
* A revolução propiciada pela facilitação do acesso aos meios de produção de mídias; * As possibilidades de difusão cultural e de interação em rede; * Liberdade, cultura livre, colaboração, processos emergentes, software livre e ética hacker; * Pro-ativismo, autonomia e "se-virismo" (termo utilizado para a condição de "se virar"); * Propriedade, generosidade intelectual e uso de licenças livres; * Governança da Internet e ferramentas da "web 2.0".
2.2. Oficinas Continuadas
As atividades de oficinas e encontros de conhecimentos livres propostas pela Cultura Digital desde 2005 evoluíram para a prática de Oficinas Continuadas. Essa prática trata a geração de autonomia como um processo que necessita de troca constante e que pode ser realizada em diferentes momentos. Nesse sentido, é importante que as equipes dos Pontões possam envolver-se com a rede de Pontos para propor a realização de atividades relacionadas a cultura digital em diferentes momentos. Para tanto a estruturação de um laboratório permanente de Cultura Digital em diversas regiões do país é essencial, pois sem uma infra estrutura física para testes, pesquisa e produção colaborativa é impossível trabalhar em rede com outros Pontos de Cultura por meio da produção e execução de oficinas continuadas/grupos de pesquisa.
As oficinas continuadas também podem ser feitas durante eventos produzidos pelos Pontos, como o Fest SESI, durante eventos regionais tradicionais, através de visitas à sede dos projetos e através da criação de grupos de estudo e também através da participação e do envolvimento das pessoas que participam da rede nas pesquisas e demais atividades realizadas no laboratório de referência de cada Pontão. Estas oficinas continuadas devem levar em consideração a construção de redes de ação entre integrantes de diversos Pontos de Cultura e a sociedade civil, a troca de saberes, a desconstrução das relações de conhecimentos hierárquico (mestre x aluno) com vistas a estimular a criatividade e autonomia.
2.3. Assistência Técnica Remota
Além das atividades presenciais de oficinas e pesquisa, é importante que todas as pessoas das equipes dos Pontões tenham disponibilidade para conversar sobre a solução de problemas técnicos tanto referentes a tecnologias digitais como a questões de gestão, comunicação e documentação de atividades, por meio de chats, em fóruns e em listas de discussão, ou até mesmo por telefone.
Além disso, a metodologia de assistência remota deve ser discutida, praticada e aprimorada no sentido de fazer com que as ferramentas evoluam e de que as conversas sobre solução de problemas comuns possam ser documentadas para poder servir a toda a rede.
É importante também que os Pontões contribuam com a comunidade Estúdio Livre no sentido de atualizar e enriquecer os tutoriais de uso das ferramentas de produção e difusão multimídia.
2.4. Pesquisa
Cada Pontão de Cultura Digital deve ter condições de estruturar ao menos um laboratório de referência, seja criando um por iniciativa do próprio pontão, seja fortalecendo um laboratório já existente, desde que haja condições de que as pessoas do Pontão possam utilizar a infra-estrutura livremente. Esse será um espaço de referência onde a equipe envolvida possa basear suas atividades e onde integrantes de Pontos e de outros Pontões possam fazer intercâmbios para troca de conhecimentos.
Esses laboratórios devem prever a possibilidade de atuação de grupos externos. Grupos que trabalham com conhecimentos livres já existem em várias cidades brasileiras, e os Pontões devem se articular com esses grupos visando a colaboração nessas pesquisas.
As atividades de pesquisa devem envolver o aprofundamento técnico de ferramentas, a apropriação de ambientes de interação, a proposição de discussões e formação de grupos de estudo sobre conceitos relacionados a cultura digital, experimentações com componentes eletrônicos e softwares, a participação em comunidades relacionadas às ferramentas utilizadas, e o aprimoramento das metodologias da ação Cultura Digital.
2.5. Documentação
A documentação de atividades é a base dos processos colaborativos, além de ser um compromisso público dos Pontões. Como a ação Cultura Digital é pensada como uma experiência que pode ser replicada, é fundamental que exista uma documentação de referência sempre atualizada sobre os processos e metodologias desenvolvidas.
Nesse sentido, é importante a adoção e o aprimoramento de uma metodologia de documentação que preveja o uso de ferramentas de redação colaborativa, como wikis, além da organização e disponibilização de documentação audiovisual dos processos relacionados à ação Cultura Digital.
2.6. Comunicação
As atividades de comunicação devem prever a interação entre a rede de Pontões, a interação com a rede de Pontos, a discussão através de listas de e-mails, fóruns, blogs e ambientes coletivos de publicação, a interação com as diversas intâncias do MinC e demais parceiros, a publicação de produções multimídia, além da divulgação da agenda de atividades da equipe.
2.7. Desenvolvimento Técnico e Inovação
O desenvolvimento técnico das ferramentas utilizadas pela ação Cultura Digital está passando por um processo de ampliação de escopo e aprimoramento de metodologias no sentido de poder tornar-se um processo descentralizado. Até o fim de 2006, o desenvolvimento técnico foi realizado por uma equipe baseada em São Paulo e teve o foco restrito ao desenvolvimento dos ambientes Conversê, Estúdio Livre e Mapsys.
Em relação ao desenvolvimento dos softwares utilizados, é importante que cada Pontão desenvolva atividades que busquem o envolvimento com as comunidades de cada software e, ao mesmo tempo, o envolvimento das pessoas da equipe nas dinâmicas de colaboração, tais como reportagem de bugs, proposição de novos recursos, discussão dos rumos e prioridades de desenvolvimento e documentação técnica.
Em relação ao desenvolvimento de ambientes de interação web, é importante que cada equipe participe com o trabalho direto de pelo menos um desenvolvedor, que possa trabalhar de forma integrada com os outros Pontões, com as comunidades de desenvolvimento dos sistemas utilizados, com ambientes de interação de comunidades parceiras e envolver a equipe no sentido de identificar necessidades e propor soluções.
Além disso, as atividades devem prever pesquisa e desenvolvimento de protótipos que possam servir para experimentações e inovações, tais como o Boto, que visa à agregação de informações através de um protocolo comum de identidade de usuários de ambientes distintos, e o Navalha, destinado à edição multimídia em apresentações ao vivo.
2.8. Gestão Compartilhada
É importante que a gestão do projeto de cada Pontão seja feita com participação de toda a equipe e também dos Pontos de Cultura da região, para que haja envolvimento no planejamento e nas responsabilidades.
A organização de informações financeiras e logísticas deve ser feita de forma que possa servir às discussões sobre planejamento e à realização das atividades, além de basear a disponibilização pública da prestação financeira de contas. Para isso, é importante também que cada Pontão trabalhe de forma integrada com a rede do Cultura Viva na busca de ferramentas ágeis que facilitem as atividades de gestão.
2.9. Articulações
Todas as atividades realizadas pelos Pontões devem levar em conta articulações com parceiros para viabilização e soma de esforços, não só junto ao MinC e órgãos vinculados, mas também junto a parceiros estratégicos, como as equipes dos projetos Casa Brasil e GESAC, os Projetos Software Livre, redes relacionadas, como Economia Solidária, Fórum Social Mundial, e governos locais.
3. Proposta de quantidade, distribuição e responsabilidades dos Pontões
A proposta de distribuição de Pontões de forma a garantir o cumprimento das atividades regional e estrategicamente, como não poderia deixar de ser, é semelhante à distribuição das próprias equipes que vem desenvolvendo o projeto no âmbito do Termo Aditivo assinado no início desse ano.
De acordo com essa distribuição, que leva em conta a densidade de Pontos de Cultura nas diferentes regiões do país, mas também a necessidade de realização de atividades tranversais, a proposta é de que sejam implementados 10 Pontões, cada um por uma entidade diferente, da seguinte forma:
=> Oito Pontões com o objetivo principal de estruturar laboratórios de referência e dar seqüência à ação Cultura Digital junto a rede de sua região de acordo com a metodologia proposta e de forma integrada com a rede de Pontões, de forma a atender as redes localizadas em:
* São Paulo
* Rio de Janeiro e Espírito Santo
* Minas Gerais
* Bahia, Sergipe e Alagoas
* Pernambuco, Ceará, Rio Grande do Norte, Maranhão, Paraíba e Piauí
* Região Norte
* Região Centro-Oeste
* Região Sul
=> Dois Pontões com o objetivo de atuar de forma transversal às ações regionais, com atividades estratégicas e relação mais estreita com o MinC e demais parceiros, estando voltados para:
* Pesquisa e desenvolvimento de ambientes de interação, ferramentas, inovações e experimentações
* Desenvolvimento e aglutinação de articulações em nível federal e de metodologias de gestão, publicação e comunicação, e documentação de processos e atividades
4. Proposta de perfis das equipes de cada Pontão
Para desenvolver as atividades propostas pela ação Cultura Digital de forma continuada, cada Pontão precisa reunir uma equipe de pessoas com perfil que contemple as habilidades necessárias para tal e que se pautem pela prática do trabalho colaborativo em rede. Além disso, é fundamental que todas as pessoas da equipe tenham uma postura ativa no sentido de discutir os rumos do projeto, envolver-se em todas as atividades e discutir e aprimorar as metodologias adotadas.
É importante que as pessoas selecionadas para desenvolver as atividades tenham uma relação mais do que empregatícia com o pontão. As pessoas precisam estar envolvidas com a comunidade e o trabalho deve ser realizado visando sempre a autonomia e auto-sustentabilidade do indivíduo e da comunidade na qual o pontão está inserida. Além de garantir que as atividades sejam realizadas com um envolvimento mais que "profissional", garante também que a energia e tempo investidos nas pessoas retornem ao pontão e à comunidade, ao contrário da lógica mercadológica atual, onde um cidadão bem sucedido sai da sua comunidade de origem em direção a um centro buscando qualidade de vida. A proposta do Cultura Viva é fortalecer e desenvolver as comunidades periféricas, anulando a idéia de que o desenvolvimento está no centro, anulando, na verdade, a idéia de centro como fator de desenvolvimento social.
Os perfis das pessoas contratadas para a equipe devem levar em conta as seguintes habilidades e competências:
- Tuxaua - pessoa com habilidade preponderante de articulação e intermediação política, para servir como referência do projeto de Cultura Digital do Pontão e atuar na coordenação de todas as atividades, definindo prioridades junto ao grupo e conduzindo os trabalhos de forma integrada com os outros Pontões. Cabe ainda ao Tuxaua a articulação e comunicação com outros tuxauas, participação de reuniões e decisões relativas à Rede de Pontões de Cultura Digital.
- Assistência / Produção - pessoas com habilidade preponderante de articulação e produção de eventos, para atuar na produção e logística das atividades junto aos parceiros.
- Multimídia - pessoas com conhecimento aprofundado nas linguagens audiovisual, musical e gráfica, com prática no uso de softwares livres destinados à produção multimídia, para atuar nas oficinas continuadas, nas pesquisas multimídia e na assistência remota.
- Assistência Técnica - pessoas com conhecimento aprofundado na manipulação de hardwares e na instalação e configuração de softwares livres, para atuar na assistência técnica da própria equipe e das oficinas continuadas. Além de participarem efetivamente nos processos das pesquisas multimídia e da assistência remota, essas pessoas serão responsáveis ministrar oficinas e demais atividades de suporte.
- Documentação / Comunicação - pessoas com habilidade preponderante de organização de informações, redação de hipertextos e cultura de publicação web, para atuar na orientação à documentação das atividades da equipe, à publicação de produções e relatos de acordo com as metodologias adotadas e também para promover o uso de ambientes colaborativos de documentação e comunicação.
- Documentação Multimídia - pessoas com habilidade preponderante de organização de materiais brutos de imagens e áudios e na edição e produção de materiais multimídia, para atuar na finalização de vídeos, áudios e peças gráficas referentes ao trabalho da equipe e do Pontão. Assim como a publicação e disponibilização desses materiais brutos.
- Desenvolvimento - pessoas com conhecimento aprofundado em programação de sistemas e softwares livres, para atuar na discussão e identificação das necessidades da equipe, no desenvolvimento especialmente dos ambientes Estúdio Livre, Mapsys e Conversê junto à rede de desenvolvedores dos Pontões e às comunidades envolvidas, no envolvimento com comunidades de desenvolvimento, na promoção da cultura de desenvolvimento colaborativo entre a equipe e entre os Pontos de Cultura e na proposição, divulgação e experimentação de protótipos.
- Gestão - pessoa com habilidade preponderante de organização de informações logísticas e financeiras, para atuar na proposição de debates sobre o planejamento e a execução do projeto no sentido de promover a gestão compartilhada, organizar a prestação de contas de forma pública e propor ferramentas e práticas que possam tornar a gestão dos Pontões e dos Pontos de Cultura mais ágil.
5. Infra-estrutura necessária para cada Pontão
Para realizar as atividades propostas, é necesários que cada Pontão preveja e viabilize uma infra-estrutura física e lógica, além dos recursos humanos descritos acima. Portanto, os projetos devem prever:
- a viabilização, estruturação e adequação de espaços físicos para basear as atividades e sediar os laboratórios de referência
- a aquisição e manutenção de equipamentos e materiais para atividades de oficinas e pesquisas
- a mobilidade dos equipamentos, visando sua preservação e facilidade logística nos deslocamentos
- a previsão de verbas para custeios e deslocamentos dos integrantes da equipe
- a previsão de verbas para comunicação, tais como ligações telefônicas e internet banda larga

