ManifestoDesCentro
Origem: CoLab
"O DesCentro caracteriza-se por um modo ético, e não moral, no qual se exclui todo juízo a priori ou sistema de julgamento fundado em referências ou reivindicações de qualquer espécie, que pretende atingir, ao invés de um princípio de organização, um plano imanente e emergênte que encontre a própria unidade de composição das relações no acontecimento simultaneamente múltiplo e singular, cuja afirmação é expressão da própria potência que cresce sem centro."
| Conteúdo |
Atitude descentrista
Vontade de transformar. De ser superficial onde outr@s são pesad@s. De ir a fundo onde outr@s são superficiais. De misturar teoria e prática, persuasão e crítica, festa e trabalho duro.
Filosofia descentrista
redundancia positiva
Os teóricos da comunicação e os cientistas da sociedade se limitaram até agora a interpretar os meios. Trata-se de modificá-los. Tudo o que acontece não tem mais pertencimento. Os donos da legítima moral da propriedade são como cegos no escuro – nem a visão os fará ver. E a nossa lanterna não aponta à escravidão. A sede dos que chegam não corresponde ao fel oferecido. A reciclagem é um machado nos grilhões. Quando as máquinas que criaram sucumbirem sob nossa imensa humanidade, seus pupilos de outrora se arrependerão por terem-na feito.
Quem são @s descentreir@s
Fundador@s
Sete pessoas aleatórias - poderiam ser quaisquer outras - que decidiram começar a construir um espaço de pesquisa desterritorializado e descentralizado.
DesCentreir@s
Pessoas que ocupam Nós ou vagam pelo mundo articulando, planejando, realizando projetos que tenham a ver com o descentro. DesCentreir@s são escolhid@s pel@s fundador@s, na proporção de pelo menos duas indicações favoráveis e nenhuma contrária.
Colaborador@s
Pessoas que se envolvem com projetos específicos, mas não entram necessariamente no processo decisório geral.
Onde atuam @s descentreir@s
Nós
Nós são espaços espalhados por aí que participam da constituição distribuída do descentro. Para ser considerado nó, um espaço precisa:
- Permitir o acesso público
- Oferecer acesso à internet, por cabo e wi-fi
- Ter uma biblioteca livre
- Ter pelo menos uma pessoa como DesCentreir@
- Participar todo mês de uma conferência DesCentrista
Nós externos
Nós externos são espaços que interagem com a rede de descentros, na execução e financiamento de projetos.
Espaços invadidos
Qualquer espaço dentro de qualquer organização onde descentrist@s trabalham. Pode ser até a casa de alguém.
Rua
Como funciona
é uma associação, tem CNPJ, pode trabalhar com governo, empresas, pesquisa, e entidades gringas. as decisões são tomadas por consenso pelo grupo de DesCentreir@s, ao vivo, em tele-presença, se o consenso não for atingido (e se não tiver quorum?) nenhuma decisão é tomada e a questão é considerada como não-prioritária.
Rascunhação
++++ O século XX acabou
Cortinas, muros, mídia de massa irmanada com o alto capitalismo, totalitarismos, reengenharias, consumismo
++++ O tempo (e o espaço) não são mais o que eram
Somos vizinhos afastados. Compadres distantes. Nosso mutirão se concretiza na rede. Nas redes.
Novas formas de produzir
sobra, não falta. toda carência material pós-moderna é semiológica: uma significação imposta em que eu não acredito mais.
Cyberpunk é ontem. Bando pirata é hoje. Pintura nas cavernas é amanhã.
"na relacao espaco-tempo, onde todos os seres e coisas se situam, o tempo se torna o imaginario (o campo das identificacoes), o espaco nos define, embora nos nos definamos no imaginario e embora o imaginario nos defina como subjetividades." Raoul Vaneigem , 62
+++ O tempo é esquizofrênico, o espaço é fragmentado
++++ Num mundo fragmentado, a vizinhança é descentralizada
O descentro é colaborativo.
A TV não nos distrai.
Tanto se esperou pela revolução que eu nem me lembro do que ela seria. Agora tenho coisas mais interessantes para me preocupar.
A rede não tem limites. O contexto nunca poderá ser descrito por inteiro.
O máximo que somos é dinamismo. Eterna mutação. Movimento. Não vemos sentido na consolidação desse movimento. Não queremos cristalização, somos líquidos. Não queremos que nossas idéias se corporifiquem no sentido tradicional. Des][centro é/são o/s demônio/s Legião. Des][centro é o pandemônio.
Anarquismo? Eu pago poucos impostos, fujo do guarda, burlo regras. Como boa parte do Brasil.
Os anos noventas foram divertidos. Gritamos, fomos contra, reclamamos. Agora que já satisfizemos nossos hormônios, queremos construir. Contra, a favor, não importa. O sistema me é indiferente, e vice-versa.
A academia tem salvação, mas eu quero ser mais rápido. E ter espaço para os desviantes.
Qual é o parâmetro de construção de identidade entre desviantes?
O não-enquadramento em padrões pré-estabelecidos é, em si, outro padrão? Será que, contra todas as nossas convicções, temos um padrão nosso? Será que a gente virou showbiz alternativo?
Um espaço distribuído, em eterna (des)construção,
Sendo Gonzo:
When the going gets weird, the weird turns pro! Kill the head, and the body will die
Email FF
queria levantar uma questão aqui que eu ainda tô começando a entender. em essência, a diferença necessária entre o que deve ser o descentro como um todo e o que deve ser a ONG descentro. uma coisa é uma rede auto-gerada, onde se reúnem pessoas desenvolvendo ações descentralizadas mas coordenadas. outra coisa é uma estrutura formal que, como eu tenho entendido agora, só vai servir pro trâmite burocrático: entra grana aqui, sai por ali e preenche esses e esses relatórios e paga esses e esses impostos.
eu acho que a ONG descentro não tem que ser tão importante em nenhum sentido. nem decisão sobre quais projetos realizar deve ser feita nesse âmbito. assim, queria propor a seguinte perspectiva:
- a ong é um corpo limitado formado por quem
quiser entre as sete pessoas que estão nessa lista. podem ser menos. dá pra começar com duas pessoas, pelo que o Alê ouviu. o papel dessa ONG vai ser mais objetivo do que qualquer coisa. essa estrutura não tem nenhuma necessidade de crescer. idealmente, teria a gente ou xs que quiserem entre a gente, mais uma ou duas pessoas concentradas nas questões burocráticas.
- em paralelo a isso, precisamos desenvolver aos
poucos uma coisa que é a rede descentro, uma estrutura auto-gestionada, prevendo uma dinâmica de participantes que evolua de acordo com a evolução dos relacionamentos entre essas pessoas. não sei se crescendo com o tempo ou se mantendo com o mesmo número, e as pessoa entram e saem de acordo com o que rola e com seus interesses pessoais. vejam bem, podemos fazer um paralelo disso, e podemos até definir isso como, um conselho consultivo da ong. esse corpo, pra mim, vai traçar diretrizes estratégicas: linhas de pesquisa, temas, quais projetos realizar ou não, quanta grana vai pra cada projeto, debater quais pessoas vão ou não trampar com a gente.
((pensando na onda de política como virtualização do relacionamento pessoal, que me veio na diagonal depois do pajé falar que política também é relacionamento))
esse corpo consultivo, o descentro efetivo, entra naquelas paradas de trabalho remoto, de decisão coletiva, de papéis cambiantes que a gente tem proposto desde desde.
aí em terceiro lugar uma instância aberta, em que todo mundo pode entrar e falar qualquer coisa. eu tinha pensado em criar uma lista de discussão tipo geral@descentro.org, mas pajé e ale acham que isso pode ser a própria lista da submidialogia, e eu não discordo.

